sábado, 13 de fevereiro de 2016

O sexo e o gênero.

O corpo criou um dos mais complexos sistemas ao designar as genitálias destacáveis - peças de encaixar. Com a mais inocente das intenções, abriu um imenso abismo subjetivo para seres complexos como humanos. Veja, o mundo existe como uma lâmina d'água, frágil e corruptível. O mundo que é lâmina é o ortodoxo, aquele que não causa desconforto ao olhar. O mundo que existe de verdade é mais que isso: é a água profunda e ignota, é o céu imenso e fértil. Não é permitido, segundo as leis celestiais criadas por qualquer entidade sensata, tentar transformar toda a existência em apenas uma mísera linha perdida e transparente que separa as dimensões solitárias dos sonhos e da dor. O homem e a mulher não são extremos, são reflexos na superfície tremulante. Toda a realidade é o que se apresenta acima e abaixo.
Não escrevo, apesar de utilizar, um baluarte pétreo; mas um convite formal para uma releitura da sua visão. Acredito piamente que seus sentidos lhe enganarão ao tentar entender o quão inexatos somos. Queimemos na fogueira, irmãos, com o objetivo único de transcender os elementos, de tornar ao pó o que foi pó. O pó que se perde no vento, se perde na imensidão cintilante do rio e na imensa e grotesca abóbada refletida na água. Queimemos o antigo, o que costuma ser verdade; abriremos espaço para não um teorema, mas uma experiência. 
Proponho uma sugestão, caro onironauta. Turve suas linhas limitativas, entorte o que você costumava ser e aprenda que eu e você somos bem mais que nós. Somos tijolos de um muro gélido, que anseia por um aríete ebúrneo. 
Derrube-o!

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