sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Vinde a mim, almas depravadas.

Botticelli, Sandro. 1485, Florença (Itália).
Há muito tempo, alguém disse que existiu um inferno. Orquestrado por anjos e demônios, morada de abominações e incredulidades, lembranças juradas de morte por pesadelos infamemente imperfeitos. Alguém teve a audácia de dizer que existiu um inferno, não com labaredas cálidas e postos da danação eterna. Apenas um inferno que não conhecíamos foi o suficiente para abrir todo um buraco no atômico espírito do mundo. O inferno sou eu, disse o rei sol. 
Eu sou um produto do meio da mais profunda cratera infernal. Fui sonhado por Gaia e moldado por Gepeto. Quetzalcoatl se enroscou no ventre de minha progenitora e implorou para que a morte livrasse o mundo de tal perdição. Eis que aqui estou.
À triste sina do meu processo concebido ás margens do rio Estige, rogo que esqueça o antiquíssimo semblante juvenil que carrega meu corpo. Peço que, finalmente, olhe para mim como um ancião, igual.

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