quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Pequenas Confissões

Quando eu brigo com qualquer pessoa e a solidão bate com força na alma, eu tenho um tecido com o cheiro da minha mãe.

domingo, 15 de novembro de 2015

Mais que um namorado

Curioso é o fato de que a gente tenha namorado uma semana - dois dias, perdão.

UmAnODoisQtres

Ame sufoque reclame abate ama o próximo fóssimo interino aceita o peito da virgem calada que abre aspernaseestupra a manhã.
Entenda que o dia do dia no dia amanhã é o dia que há de existir.
Assopre o medo em tudo o receio o vento o pó deslize-o só.
Nunca em tudo permita aquele o vento o pó entenda que o dia.
Exista você. Com e para somente e so la me n t e interinamente,
você.







Você,

terça-feira, 10 de novembro de 2015

As intermitências da Morte

Imaginar é o dom de quem conseguiu um dia pensar no irreal paraíso das letras do alfabeto e talvez mergulhou deveras num mundo onde quem tem o que tem quer o que não será Amanhã temos um tempo eu preciso de um tempo para mim Nós E nunca entender vou aquilo aquele Texto escuro amargurado que me emprestou um sorriso amarelo mas verdadeiro ,Nem sempre o amarelo do sorriso não é verdadeiro O amarelo no reino das cores é o único que pode ser aberto e ampliado para todos um glasnost apolítico
E se a morte parasse de ceifar? Teriam os suicidas o tiro do revólver como agonia momentânea e a permanência como danação eternaterrena? Teriam as funerárias um espaço enfim de crise?
Teriam os corações o descanso eterno?
Imaginei que minha despedida fosse mais longe e pessoal. Achei que afagasse bem mais pessoas. Mas não. Me despeço de mãe, pai, irmão e a tia, alguns alguéns que fizeram alguma fumaça no trem descarrilhante dos dezesse(te)is anos. Avisem para ela que não existe culpa nem saudade: estive aqui para todos, sempre.

Sabe

Eu lembro quando o medo era algo que fazia as coisas se mexerem. Quando respirar era algo tão conflituoso quanto escrever uma palavra de ódio. Hoje, eu vi que não era pra tanto. Tentar ficar amigos sem rancor. A emoção acabou e que coincidência é o amor. A nossa música nunca mais tocou.
Destilemos terceiras (até 24°) intenções e esqueci que você nasceu.
Perdi o que eu mais precisei em toda a minha estadia ridícula em um ambiente inóspito repugnante,
e quando notei, a corrente já queimava na pele de todos eles.
A corrente só queima uma vez - A deusa disse.
Aprendi a lidar com adeuses. a deuses. ateu diz. a teu dizer.
eu te amo pra sempre
e um dia
serei eu.

domingo, 1 de novembro de 2015

Eu conheci sua amante

Ela era linda. Me assustei com os cachos castanhos escarlates que caíam secos como cálidas coroas nas clavículas claras. Ela estava saindo de casa, trancando a porta. Quando me viu, sorriu. Me reconheceu, presumo. Disse que estava de saída, mas me chamou para tomar um café.
Ela me contou bastante sobre você. Disse que gosta de ler no escuro do fim de tarde. Disse que sabe decorado o apocalipse, como Olavo Bilac sabe a forma. Me contou seus sonhos, seus desejos. Suas intimidades. Assumo que não imaginava ser um encontro tão informal à esse ponto.
Quando terminamos, ela me disse que tinha que ir. Arrumou os cachos e me deu um livro esmeralda, com uma capa feita de palavras que formavam uma imagem. "Dois garotos se beijando". De dois garotos se beijando.
No dia que você nasceu, os lençóis que te cobriram eram esmeralda. Eu lembro porque meu sangue ainda inundava sua testa, e você chorava como se eu não estivesse ali.
Eu estou aqui. Por você. Pra você. Vocês.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

asfódelos

A atitude de mudar é uma pretensiosa empreitada para um vazio inexistente. Ambicionar a teoria é, então, um vasto tiro no escuro que amedronta todo aquele sonhador. Todo onironauta.
Todo onironauta que continua e atira no escuro, ambicionando a pretensiosa empreitada que é.
Mudar.

domingo, 18 de outubro de 2015

Apenas trapi(che)s ensan(gue)ntados

Falando de lado e olhando pro chão. Respirei e pisquei para os dois garotos.
Eles precisavam de mim. Eles tinham vontade de continuar. Eles tinham de continuar.
Beauvoir diria que a culpa é minha do fracasso iminente daquele grupo. Quando a navalha acertou a criança, era tarde demais.
O jantar está pronto.

Pederastia

O garoto observava a pena escorrer no abismo. Sabia até que ponto ele iria vê-la desvanecer no fosso negro e descomunal. A pena, não se mexia, para ser sincero. Era a escuridão que acelerava e afundava cada vez mais a plumagem ignóbil. Azul e branca, se posso sinestesiar aquele ser.
Ela tinha o que pensar. Em quem se esconder. Ela poderia/dia voar. Ir embora dali-aqui.
A pena chegou no fim do buraco sem fundo. Pousou no colo do garoto. E foi assim que nascemos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Eu não gostava dele naquela época

Eu costuma escrever cartas e esconder dentro de livros.
Eu achei que talvez as palavras escorressem e fizessem que elas entrassem no mundo de Dorian Gray e quem sabe eu recebesse uma resposta de Madame Bovary.
Achei talvez um dia quem sabe pode ser apesar de tudo,
que você acharia aquela carta. Aquelas cartas. Perdidas, soltas, em prateleiras de pessoas desconhecidas, agitadas.
A garota folheava aquelas páginas com os dedos lambuzados, sedenta de prazer e carne. Os cabelos com cachos rubros se desmantelavam enquanto a menina gemia palavras de amor, carinho, luxúria. Dor. O cheiro de canela brotava das páginas e inundava o corpo nu que se contorcia em nós dantescos.
O medo, o pavor, o desespero derrubavam o garoto. Cada palavra que ele lia, afiadas como lâminas de um assassino, agitavam a câmara atrial. O suspiro trôpego que anunciava o fim da vida pairava sobre a janela escura. O frio lá fora tilintava as folhas. Frio tão frio quanto o copo com água, do lado das pílulas. Daquelas dezenas de pílulas. Era só aquela vez. Só uma dor. A ultima. Ele pega o copo. Ele pega as pílulas. Ele abre a boca. Ele põe as pílulas. Vai acabar, vai sim.
Só.
Um.
Gole.
Não, eu não tenho coragem. Jamais.
O sorriso amarelo de cigarro era a marca registrada do magnata, que exibia seu relógio de brilhantes no meio do salão. As pessoas cobiçavam sua presença, sua atenção. Um minuto, vocês precisam ver a última ilha que eu comprei. E subiu nas escadas, indo em seu quarto. O sorriso amarelo brilhava com aquele momento. Finalmente, um momento em que ele poderia estar só consigo. Quando chegou no quarto, fechou a porta atrás de si e se dirigiu ao armário. Abriu seu universo particular: guardava seu primeiro relógio de bolso que ganhara do avô, antes de se matar; uma parede ilustrada com fotos de carros e ilhas, mansões gigantescas, tudo em seu nome. Um revólver de aço repousava em uma caixa adornada com medalhões de cobre, da época em que seu pai era militar. Eram tempos difíceis aqueles. Seguiu para a parede e pegou um dos quadros, o que balançou toda a estrutura e derrubou uma série de imagens no chão. Uma delas era a foto da sua família. A quem pertencia. Sua filha, seus filhos, sua mulher e seu neto. Todos sorriam na foto, felizes. Se guardavam em um abraço apertado e generoso, acolhedor. Eles estavam do outro lado do oceano agora, provavelmente se levantando para iniciar o dia. O magnata não estava na foto, para ser sincero. Ela foi tirada na semana em que ele foi encontrar algumas prostitutas em uma boate no Rio.
Pá. Um único tiro atravessou a cabeça do velho, desferido por aquela arma de seu pai. Há quem diga que foi suicídio. Outros questionam um assassino programado para matar. Eu, acredito que ele já estava morto há muito. Só lembrou de apagar a luz.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Os camponeses

Por séculos, aprendemos que sempre existe uma camada inferior de seres humanos
O pobre, o negro, o homossexual, a mulher
O estrangeiro, o judeu, o protestante
O prisioneiro de guerra, a bruxa, o visionário
Aquele que discorda sempre queimou na fogueira.
Sugiro então um pacto, por todos aqueles que sufocaram nas cinzas e na censura do impositor.
Sejamos os filhos das bruxas que fugiram, dos deuses esquecidos e detentores do santo graal original.
Cumpramos nosso dever para com o universo da literatura, ciência e cultura e mostremos que nosso rugido retumbará até o último suspiro da grande tartaruga celestial.
Afinal, o leão sempre se importa com a opinião da ovelha; antes de arrebentar o pescoço dela.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

despedida ao passado próssageiro

Atrelado ao passado insucessivo do meio acadêmico, é notório o famigerado desnorteio com que a palavra escrita cambaleia pelas massas pensantes dos rudimentares caixotes cranianos. O novo e o moderno acabam por subjugar qualquer indício de humanidade dos vocábulos e o medo, sim, o medo arranja uma máscara fantasmagórica que permite sua existência em dimensões nunca antes presenciadas pelo papão. O breu da ignorância acaricia as cabeleiras joviais e repudia as cãs longas e prateadas, que inundam a história com o intelecto mais puro: o empírico. Repudia porque sabe o seu lugar, porque odeia o brilho da coragem. Na luz, somos um.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

com a palavra eu crio

Incrédulo
Abafado
Sonâmbulo
Uivando
Um sonho de uma manhã chuvosa
Infestada de nadas perigosos e confortantes
Um grito perdido no vil cemitério de prazeres mortais
Você viu?
Me salve uma última vez, anjo
Avise para o Senhor Coronel, para que não fique me esperando à toa

um morto sem adeus.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Vinde a nós que recorremos à vós.

A beleza é algo esplêndido. Irreal para seus criadores, fútil para os que a almejam.
Essencial.

Aquele famoso amor.

O amor. Omoplatas de todo onironauta que um dia pousou no mais distante planeta da mais distante galáxia. O amor é algo inexplicável. Desmerecendo o lugar-comum, essa é a expressão que bem mais o define. Do ponto de vista conceitual e denotativo, o amor se mostra como uma aquisição favorável à uma melhor interação do ser humano com o meio que o cerca. Ou ainda o meio que esse cerca, levando em conta a vastidão da mente. Amar, teoricamente, é o florescer de alguns compostos carbônicos e impulsos elétricos e o acaso do encontro. Mas, sinceramente, na minha mais humilde e inofensiva opinião, tudo que se resume à um signo em uma folha de papel e pode ser plenamente interpretado objetivamente não merece existir em um plano de conotativo gigantesco que é a nossa existência.
O amor assume várias faces. O amor recíproco de uma criança pela mãe no segundo que essa nasce, o instinto maternal de cercar seu tesouro de todas as mazelas rastejantes do planeta. O desespero pela respiração que é rapidamente acalentado no morno colo da mãe.
O suspiro exasperado do amor daquele que morreu de amor. Do sujeito que, sem escapatória ao mundo, desistiu de seu "bem mais precioso" em nome de abdicar do amor, e assim encontrou o fim. Ou finalmente um começo. A morte provocada, desejada, esperada. Desesperada. Inevitável a morte.E o amor.
O amor e a morte andam juntos como irmãos, ainda que o abismo jure por todos os céus que esses são diferentes. Mas o amor e a morte são máscaras de um mesmo deus moribundo. Máscaras que regem a existência, sim, mas que são em sua essência mais pura: iguais. A cama, espectadora de diversas anedotas presenciais, em analogia ao deus se mostra como o objeto a carregar os mais pesados sentimentos. A paixão desenfreada de dois amantes. Adúlteros, talvez. Ou ainda os últimos suspiros desajeitados de um pai perante sua prole, que conta os bens do velho em sua contagem regressiva de vida. A morte não é, por definição, ruim. A morte é amar. Amar é morrer.
Todo onironauta que um dia pousou no mais distante planeta da mais distante galáxia o fez por amor. Ao próximo, ao anterior, à mulher (ou à outra). Por Deus, por deuses, por uma ideia e pela promessa de um dia não ter que sonhar mais. Ou o caralho que seja.
Minha dica, onironauta, é que ame até morrer.
E quem sabe, você morra de amores.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

térmico

Uma flecha é o que define o desenvolvimento da história de qualquer um em meio à uma sociedade dotada de diferentes modelos de indivíduos, que vomitam diariamente pensamentos e opiniões que expõem a essência do lançador. Uma flecha não pela velocidade e pelo movimento, mas pela incapacidade estrutural de retornar do ponto de partida sem deixar sequelas em ambos os elementos. Qualquer pensador já teve sua ruptura do "eu sei" com o desejo pervertido pela ignorância, pelo fluxo favorável ao movimento de seus companheiros de espécie. É muito fácil poder não saber, apesar do abominável estigma adquirido pela falta de sapiência.
São por vias brutas, de areia fofa e mato áspero que os engenheiros sintetizaram as estradas em que alguém já pisou. Um caminho, antes desconhecido e desconfortável foi desbravado por vanguardistas que aceitaram o triste fardo de um mártir em abrir mão da estabilidade para construir um novo caminho para o futuro. Para os seus futuros. (Netos, filhos, amigos, descendentes.). Ainda que destruídas tais estradas, que mortos os transeuntes e queimados os registros de tais; a estrada já existiu. Apagar algo, de verdade, é quase impossível. O temor pelo esquecimento, medalha de tantos heróis e vilões, é por vezes uma lâmina de duas faces. O anseio pelo esquecimento é quase um suicídio eterno.
Ofereço um brinde fúnebre e um cortejo malicioso ao tempo - este operário das ruínas -, que martela e maquina a grande estrutura de aço inoxidável que é a mente. Seus cordões de marionete que agarram dimensões distintas segurando o espaço e as coisas. Trazendo os dias gelados cinzentos e as noites mornas de verão. Ou ao menos acompanhando, do ladinho mesmo.
Eu anseio por esquecer o que eu nunca conheci. Mas que vou conhecer, e que prometo nunca esquecer.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

sem título

Oi. Apresentações são coisas que eu infinitamente gostaria de evitar. A gente pode já se conhecer, há muitos anos, mas não se conhecia. Quer dizer, não se lembrava.
Meu nome é João, lembra? A gente se conheceu faz um tempo. Eu não lembro o mês, nem o ano. Mas eu lembro do dia.
Ele te deu aquela flor, lembra? Que você guardou, depois de esperar por tantas semanas um sinal de gostar. Bonita aquela rosa/margarida/flor. Eu não lembro qual era. Mas era bonita.
Não, pera, acho que estou confundindo.
A primeira vez que a gente se viu foi naquela viagem que a família fez para a praia. Cara, aquele fim de semana vai ficar pra sempre na minha cabeça! Eu nunca achei que ia me apaixonar tão rápido por alguém. Foi com você que eu dei meu primeiro beijo. Sim, lembra? Quando a gente ficou sozinho no mar, no por do sol. Eu gostava muito de ti. Você gostava de mim?
Eu lembro do dia em que a gente se conheceu. A chuva orquestrava aquele momento tão inofensivo. Seus olhos cerrados foram a melhor paisagem que eu já vi. A ponta dos seus dedos pareciam feitas de vidro, arranhando minha alma, mas confortando o meu peito. Eu não sabia como me despedir.
De todas as vezes que a gente se conheceu,
aquela cama de hospital reside em um canto especial do meu coração. Aquele coração que quase parava de bater. Seus dedos de vidro pareciam almofadas quentes, acalentando o resquício de existência que ali residia. Eu não queria me despedir.
Mas eu tive.
Foi muito bom te conhecer.

O primeiro e último mandamento.



Hercules,
o grande
filho de Zeus
filho de Deus
o grande
Jesus,
Aquele que andou entre os mortos
e os vivos


Que foi odiado por reis
e amado por rainhas
Salve Rainha!

Que criou a dúzia celestial
Os apóstolos, os trabalhos

Bom era o pai,
Terrível era o pai,
Criou o mundo, mas criou o mundo
O frio e o medo, o sol e a vida
A caixa de Pandora e a vara de Aarão
A grande Roma se curva perante o pecado original,
E teme
Que Zeus, ou Deus,
Venha,
Ou que não exista.